O exercício da empatia

Na semana passada, em meio a uma discussão sobre a participação feminina no futebol (com ânimos a flor da pele!), me deparei com uma reportagem sobre o Museu da Empatia. Aquilo me chamou atenção e pensei: “que tema pertinente para o momento”!

A notícia, de 2015, falava sobre o lançamento do Museu1 em Londres e da experiência do repórter em sua visita. A proposta do museu é que seus visitantes conheçam histórias de pessoas desconhecidas através de suas próprias narrativas, de seus próprios pontos de vista. Antes de iniciar, o visitante é convidado a escolher um par de sapatos e calçá-los, e só então seguir a caminhada, que é acompanhada de um áudio sobre a história do “don@” dos sapatos. Assim, o museu sugere uma experiência de se colocar no lugar do outro.

Essa reportagem me despertou interesse sobre o assunto e me fez perceber que o exercício da empatia pode contribuir, e muito, para o entendimento do outro, do diferente, daquilo que às vezes não compreendemos e/ou nos causam algum estranhamento. É um exercício de escuta e observação do outro (ou de outra cultura) sem pré-julgamentos e com certa dose de curiosidade. Como se fôssemos descobrir algo novo (e muitas vezes é exatamente isso!).

É um exercício de parar e perceber como o outro (ou outros) pensa, fala, que palavras e gestos usa, como se veste, do que gosta. É entender o contexto, a história, a origem. E assim, perceber a diversidade que existe e que o diferente muitas vezes é apenas diferente, e não ruim ou errado.

O exercício da empatia ajuda a criar vínculos e a expandir nosso conhecimento e percepção da vida. Percebemos que nossos interesses e necessidades não são os interesses e necessidades de todo mundo. Ajuda a compreendermos melhor o comportamento e a forma como o outro toma as decisões, imaginando-se nas mesmas circunstâncias2.

“(…) não há nada como olhar com os olhos do outro para nos ajudar a questionar nossas suposições e preconceitos e incitar novas maneiras de pensar sobre nossas prioridades na vida.”3

Em seu livro “O poder da Empatia”, Roman Krznaric sugere que seja praticado um conjunto de hábitos diários para desenvolvermos nossa empatia. Através de pesquisas (realizadas ao longo de 12 anos) ele chegou a “seis hábitos de pessoas extremamente empáticas”, são eles:

Hábito 1: Acione seu cérebro empático

Mudar nossas estruturas mentais para reconhecer que a empatia está no cerne da natureza humana e pode ser expandida ao longo de nossas vidas.

Hábito 2: Dê o salto imaginativo

Fazer um esforço consciente para colocar-se no lugar de outras pessoas – inclusive no de nossos “inimigos” – para reconhecer sua humanidade, individualidade e perspectivas.

Hábito 3: Busque aventuras experienciais

Explorar vidas e culturas diferentes das nossas por meio de imersão direta, viagem empática e cooperação social.

Hábito 4: Pratique a arte da conversação

Incentivar a curiosidade por estranhos e a escuta radical, e tirar nossas máscaras emocionais.

Hábito 5: Viaje em sua poltrona

Transportarmo-nos para as mentes de outras pessoas com a ajuda da arte, da literatura, do cinema e das redes sociais na internet.

Hábito 6: Inspire uma revolução

Gerar empatia numa escala de massa para promover mudança social e estender nossas habilidades empáticas para abraçar a natureza.

Estes seis hábitos listados acima já são um bom estímulo para praticarmos (ou iniciarmos a prática) a empatia diariamente. E aí, vamos juntos?

Obs.: Ah, e a discussão sobre a participação feminina no futebol? Bom, já deu para clarear um pouco por onde passa, né?! Mas aí é mais assunto para outros posts. 😉

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1 O Museu da Empatia é baseado nas ideias do pensador Roman Krznari (autor dos livros “Sobre a Arte de Viver” e “O Poder da Empatia”) e tem a proposta de ser itinerante. Enquanto não chega ao Brasil, podemos visitá-lo na sua versão online www.empathymuseum.com.
2 fonte: www.significados.com.br e www.dicionarioinformal.com.br
3 Fonte: Krznaric, Roman. O Poder da Empatia. A arte de se colocar no lugar do outro para transformar o mundo. Zahar. 2015.

Author: Cristina Aun

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